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Fibermaxxing: a nova mania das fibras funciona ou é só moda?

PIPietra Falcone
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Fibermaxxing: a nova mania das fibras funciona ou é só moda?

Depois da era da proteína em tudo, a bola da vez nas redes sociais em 2026 é a fibra. O chamado fibermaxxing, que consiste basicamente em maximizar o consumo de fibras em cada refeição, viralizou entre influenciadoras, atletas e famosas, e quase sempre vem acompanhado de promessas grandes: emagrecimento mais fácil, barriga mais lisa, fome sob controle e até uma espécie de efeito parecido com o das canetas emagrecedoras. Como acontece com toda tendência, existe um fundo de verdade importante misturado com bastante exagero, e vale a pena separar as duas coisas.

O fundo de verdade é que a maioria das pessoas realmente come pouca fibra. As recomendações costumam girar em torno de 25 a 35 gramas por dia para adultos, e os levantamentos de consumo no Brasil mostram que boa parte da população fica bem abaixo disso, em grande medida porque o feijão, a verdura e a fruta perderam espaço para alimentos refinados. Quando a fibra falta, o intestino sente primeiro, com constipação e ciclos de evacuação irregulares, mas os efeitos não param aí. Há décadas, estudos populacionais associam maior ingestão de fibras a menor colesterol, melhor controle da glicemia e menor risco cardiovascular, e essa é uma das associações mais consistentes de toda a nutrição.

Do ponto de vista fisiológico, a fibra atua de formas diferentes conforme o tipo. As solúveis, como a betaglucana da aveia e as pectinas das frutas, formam um gel no trato digestivo, retardam o esvaziamento do estômago e suavizam o pico de glicose depois da refeição. As insolúveis aumentam o volume do bolo fecal e aceleram o trânsito. E uma boa parte das fibras é fermentada pelas bactérias do cólon, produzindo ácidos graxos de cadeia curta, como o butirato, que alimentam as células do intestino e participam da comunicação entre o intestino e o cérebro. É justamente nesse último ponto que nasce a ideia do "GLP-1 natural": parte desses compostos estimula células intestinais a liberar GLP-1 e outros hormônios da saciedade.

Aqui é preciso cuidado. Uma revisão de escopo publicada em 2026 na Frontiers in Endocrinology reuniu 49 publicações de ensaios clínicos que testaram se fibras específicas aumentam o GLP-1 do próprio corpo e a saciedade. O resultado foi bem mais tímido do que o das redes: a maioria dos estudos era de dose única, com poucos participantes e curta duração, e os efeitos variaram muito de um tipo de fibra para outro. As dextrinas e as betaglucanas apareceram com sinais mais interessantes, enquanto o amido resistente, que é uma das fibras mais estudadas, teve resultados inconsistentes. Os próprios autores ressaltam que ainda faltam estudos longos, em condições de vida real, antes de qualquer recomendação prática mais específica. Ou seja, a fibra ajuda a saciar, mas comparar esse efeito ao de um medicamento é um salto que os dados não sustentam.

Outro ponto que costuma ficar de fora dos vídeos é a tolerância. Aumentar a fibra de uma hora para outra, sobretudo com suplementos e produtos ricos em fibras muito fermentáveis, pode causar gases, distensão, cólicas e até piorar a constipação quando a pessoa bebe pouca água. Quem tem síndrome do intestino irritável ou doença inflamatória intestinal costuma reagir de maneira bem particular, e alguns tipos de fibra que ajudam uma pessoa incomodam outra. Por isso o caminho mais seguro tende a ser gradual, somando alguns gramas por semana e observando a resposta do próprio corpo.

Também vale desconfiar da lógica do "quanto mais, melhor". Os benefícios mais bem documentados vêm de dietas ricas em alimentos inteiros, como leguminosas, grãos integrais, frutas com casca, verduras, legumes e sementes, que entregam fibras junto com vitaminas, minerais e compostos bioativos. Pó de fibra e barrinhas "turbinadas" podem ter seu lugar em situações específicas, mas não reproduzem necessariamente o que acontece quando se come comida de verdade. Além disso, fibra em excesso pode atrapalhar a absorção de alguns minerais e reduzir o apetite a ponto de comprometer a ingestão de proteína, algo que importa muito para quem está em déficit calórico e quer preservar massa muscular.

Na prática, a versão sensata do fibermaxxing é bem pouco glamourosa: incluir feijão ou lentilha no almoço com mais frequência, trocar o pão branco por uma opção integral de verdade, comer a fruta com a casca quando possível, acrescentar aveia, chia ou linhaça ao café da manhã e colocar uma porção generosa de vegetais nas duas refeições principais. Combinar isso com água suficiente e uma boa fonte de proteína em cada refeição costuma trazer saciedade e regularidade intestinal sem precisar de nada sofisticado.

Cada intestino responde de um jeito, e a quantidade e o tipo de fibra ideais dependem de histórico clínico, rotina, objetivo e até de como a pessoa dorme e se estressa. Se você quer aumentar a fibra sem sofrer com desconforto, ou se a sua dúvida é como encaixar isso no seu plano de emagrecimento ou de ganho de massa, uma consulta de nutrição ajuda a montar esse caminho de forma individualizada, respeitando o seu ritmo e a sua realidade.

Pietra FalconePI